terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Meu Brasil brasileiro

Passados os insuportáveis 15 minutos de fama de Geise e seu vestido cor-de-rosa – que milhares de brasileiras vestem diariamente semelhantes, ou piores, diga-se de passagem – vem a tona o escândalo do ator americano Robin Willians, que fez uma piada imperdoavelmente difamatória contra a nação brasileira.
Me estristece ver este tipo de notícia na televisão e nos jornais. Infelizmente constato que essas matérias sensacionalistas são resultado de um declínio da qualidade jornalística, pura e simplesmente, e não pela falta do que noticiar.
O problema dos alagamentos em São Paulo não foi resolvido, simplesmente parou de chover. Os nossos políticos continuam enchendo meias e cuecas de dinheiro, a revigorada no Rio de Janeiro para receber os jogos olímpicos não anda lá essas coisas... ou então porque não noticias também coisas boas? A economia brasileira anda bem, comerciantes festejam as vendas de final de ano, e alguém sabe a quantas andam as pesquisas da cura do câncer a partir das células tronco? Pois é. As enchentes devastadoras do Rio Grande do Sul passaram, e agora os motirões de pessoas se ajudando mutuamente revela o verdadeiro espírito do natal, mas isso já não dá mais audiência. Enfim, ao invés disso, sei que alguns universitários desocupados não gostaram de um vestido obsceno, e outros tantos brasileiros desocupados não gostaram de uma piada que feriu seu patriotismo.
Logo os brasileiros, que tem um senso de humor tão aguçado! Vale lembrar-vos que temos, em rede nacional, toda terça-feira, um programa de televisão cujo único objetivo é chacotear o que vier pela frente: anônimos, celebridades, presidentes e nações. Quantas vezes já gargalhamos com as versões brasileiras de Bush’s e os recentes Barack Obamas? E o que diriam nossos hermanitos argentinos das piadas a respeito do seu povo, que devem corresponder pelo menos ao 3º lugar entre as favoritas dos brasileiros (logo atrás das de sogra, e de português – opa! E olha aí outra nação sendo cutucada pelas nossas piadas infames!). E o que dizer sobre os tantos comentários sobre palestinos, israelitas, Osamas bin Ladens da vida. Esses sim, eu espero que levem nossas brincadeirinhas na esportiva, porque não consigo imaginar as consequências de uma indignação por parte deles.
Sr Willians, apesar da indelicadeza da sua parte, não se sinta culpado por ter associado o Brasil com tráfico e prostituição. Muitos de nós brasileiros também enxergamos dessa forma. E os outros que realmente deveriam enxergar fazem de conta que perderam esse sentido, a visão.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Mas que tanto mel?

Adoro acordar e ver
Que você ainda está ao meu lado
O cabelo desarrumado
E aquela cara amaçada
Ficar juntos e mais nada
De tudo mais esquecer

E quando a cama vazia
Enquanto dobro o pijama
Ouvir dizer que me ama
Que é um cara de sorte
Ganhar um abraço forte
Já no raiar do dia

As horas passam depressa
Eu mal as consigo notar
Ocupada demais em te amar
Não dou importancia ao tempo
Ter você perto é meu alento
Desse desfrute ninguém me impeça

Mas como é grande o espaço
Dessa casa sem tua presença
Sinto o cheiro da sua ausencia
E as coisas perdem sua cor
Quando não esta comigo, amor
Aí me falta um pedaço.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A tal da desgraça alheia _da edição Memórias da Aviação

Todos nós aprendemos o quanto é feio e desnecessário rir da desgraça alheia. Grandes traumas podem ser provocados por pequenos, porém dispensáveis, gestos. Mas convenhamos, fracos seres humanos que somos, identificamos de longe pessoas que clamam por platéias e risos. Pedem ao menos uns 5 minutos de atenção – gastos nessa leitura.
Certo dia um jovem, que trabalha na aviação, sofreu um acidente inusitado com o avião ainda em solo – sorte a dele. Ele não percebeu que, com as portas já abertas, ainda não estava acoplada a escada de desembarque da aeronave. Em um ímpeto de liberdade, na ânsia por um pouco de ar fresco, o pobre despencou porta afora, de uma altura de aproximadamente 3 metros. Como consequência teve apenas algumas fraturas leves, o suficiente para mantê-lo afastado dos vôos por algum tempo.
Quando voltou já havia se tornado, indiscutivelmente, um personagem dos ares. Há muito tempo sua história já estava passando pela ‘boca do povo’, o que dispertava variados tipos de comentário por qualquer aeroporto que passasse.
Já nos primeiros dias de vôo após o seu retorno, ele encontrou ao acaso um velho amigo, este faria parte da tripulação do vôo que estava assumindo. Conversa vai, conversa vem, e o nosso protagonista resolveu enfim explicar o que exatamente havia acontecido naquele dia infeliz. Pois bom artista que era, não se contentou apenas em uma narrativa monótona e sem vida, quis também encenar o seu feito.
Foi assim que sua maior façanha se realizou, aquela que fez seu nome ficar gravado eternamente na memória da população aeronauta. Ele caiu denovo. Tão empolgado que estava mostrando ao seu colega como tinha caído, mais uma vez se deparou com a porta da aeronave aberta sem nenhuma escada ou apoio. Simplesmente, caiu!
O único comentário que tenho a fazer a respeito – além da exposição pura dos fatos – é: “Errar é humano, repetir o erro é burrice!”. Autor desconhecido. Fonte: minha sábia mãe.
Entendo que essa tenho sido uma desgraça, mas não é um bom exemplo daquela risada inevitável? ...E aproveitando ao gancho dos ditos populares: “Tem que rir, pra não chorar”.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Minha mãe é o cara

Vivi toda a minha infância em um lugar muito tranquilo, na realidade eu diria até isolado... Dividia a minha rua com apenas outras duas casas, eram esses os nossos vizinhos mais próximos. Em uma dessas casas havia um menino, meu primo por segundo grau, que me fazia companhia quando nossas mães se encontravam para conversar e tomar ‘mate’. E na outra, um casal de senhores de aparência simpática, tranquilos, que davam a impressão de ter passado os últimos 50 anos fazendo a mesma coisa.
Quase posso vizualizar eles acordando sem se cumprimentar, tomando café calados, se dirigindo cada um a sua cadeira de balanço, sem dizer nenhuma palavra. Essa parte do despertar e desjejum matinal obviamente eu nunca presenciei, apenas imagino que deve ser assim porque eles não nos davam margem pra imaginar outra coisa. Também morava lá o pai do homem do casal, esse me dava balas e me chamava de macaco. É tudo que eu consigo me lembrar.
Porém, mesmo com esse sossego todo, nós conseguíamos sim alguns atritos, como toda boa vizinhança! E as briguinhas de interior são as melhores. Minha mae cuidava de um jardim magnífico na nossa casa, cheio de vida, com flores de todas as cores, de todos os tipos. Mas, um dia percebeu que havia algo errado com o jardim, os canteiros apareciam remexidos, as flores despedassadas, e ela começou a investigar o que estava acontecendo. Não foi preciso muito esforço para ver as galinhas - que os vizinhos calados criavam soltas - ciscando pelo jardim, e bicando desvairadas as flores coloridas que se despedaçavam pelo chão.
Ao constatar que o problema era esse, no mesmo momento minha mãe me pegou pela braço e foi comigo até o vizinho pedir gentilmente que ele comece a prender suas galinhas, que estavam estragando suas plantas.
Dois dias depois, as galinhas continuavam soltas sorrateiras entre as flores. Minha mãe voltou ao vizinho e pediu novamente, agora não mais tão gentil, que prenda as penosas.
Ainda repetiu uma terceira vez o pedido ao vizinho, antes de fazer uma das coisas que a deixou conhecida pelo lugar...
Depois de já ter extrapolado a sua cota de conversa, ela sentou na frente de casa graciosa e silenciosa, cabeça erguida, sorriso no rosto, e a espingarda de caça do meu pai cerrada nos punhos (leia-se que ainda não era exigido o porte de arma nessas circunstâncias) e matou as galinhas do vizinho a tiros.
Ah como eu queria ser uma mosquinha nesse momento pra ver a reação de cada um dos vizinhos! E queria também poder lembrar de mais detalhes dessa cena, uma mulher de seus 26 anos, linda e indiscutivelmente decidida, descer do salto e partir à caça às galinhas... o que me anima é que, mesmo não podendo ter visto a reação das pessoas na época, consigo arrancar até hoje as mesmas expressões das pessoas pra quem conto essa façanha!
Que orgulho, mãe! Quando eu crescer quero ser como você!


Ps.: Se a reação foi essa ao mexer com seu jardim, imaginem se alguem ousasse mexer com as suas ‘filhotas’. Não paguem pra ver...